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Sobre mim

Eu não sabia muito bem o que escrever aqui, então decidi contar, resumidamente, minha vida. Até mesmo porque já prometi fazer isto várias vezes.

Bem… Eu fui uma criança razoavelmente normal. A única coisa que eu tinha era muita alergia e, devido a isto, crises de bronquite. Não foram poucas as vezes em que meus pais tiveram de passar a noite comigo em hospitais, para que eu pudesse fazer inalação.

Nunca fui catequizado em casa. Não fiz catequese, primeira cramulhão comunhão, nem nenhuma destas porcarias das religiões. Fui apenas batizado como católico e, depois disto, só entrei em igrejas para assistir casamentos, batizados, missas de 7º dia, estas coisas. Ainda assim, nunca gostei da coisa.

Por volta dos 5 anos de idade fui obrigado a pagar uma promessa de minha avó: tive de me vestir de anjo e andar por um trecho lá (não lembro direito) na cidade de Aparecida. Não gostei, não queria sequer vestir aquela roupa. Na verdade, queria PICÁ-LA. Mas acabei sendo convencido com uma ameaça de surra.

(Depois escanearei uma foto que tenho vestido de anjo e publico aqui.)

Depois, por volta dos 7 ou 8 anos, tive apendicite. Operei, tive infecção hospitalar (mesmo que leve) e tive de voltar ao hospital. Passei o natal internado, mas melhorei. Foi nesta época, exatamente devido à internação, que comecei a ler gibis (da Turma da Mônica, Tio Patinhas, do Super Homem, etc – sim, tive infância).

Meu primeiro amor começou pouco depois disto, não sei precisar exatamente quando, mas tinha entre 9 e 10 anos. Foi por uma menina loirinha, 2 anos mais nova que eu, chamada Nataly. Chegamos a namorar, mas namoro de criança, não cheguei sequer a pegar na mão dela. E pouco depois ela se mudou do Brasil, foi morar na Espanha, onde morou pelo menos até pouco tempo atrás (sei que a mãe dela e a irmã mais nova voltariam para o Brasil, para morar na mesma rua onde morávamos, mas não tive mais notícias – e, pra falar a verdade, nem me importa hoje em dia).

Por volta dos 11 anos de idade comecei a ter dores de cabeça frequentes. Ia ao Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo (dica: quer viver, não vá lá!), tiravam raio-x de minha cabeça, “diagnosticavam” como sinusite, me passavam uma receita e me mandavam de volta para casa.

Até que em setembro de 1991, após estar tomando o medicamento por 7 dias (que era o tempo pelo qual eles me mandavam tomar o medicamento mesmo e uns 3 dias depois do prazo em que a dor de cabeça deveria ter passado), minha mãe apertou o médico (leia-se: residente). Ele chamou um neurologista, que já notou que havia algo diferente comigo, me mandou fazer tomografia (que tive de repetir no dia seguinte, desta vez com contraste) e já nem voltei para casa.

Antes da cirurgia, eu precisaria fazer uma ressonância magnética, a qual eles marcaram apenas para fevereiro de 1992, se não me engano. Minha mãe, já sem ação (o que é perfeitamente natural para a situação) foi convencida a me tirar dali e me levar para o Hospital Israelita Albert Einstein, onde acabei sendo operado (isto causou muitas dívidas para meus pais, mas eles conseguiram pagar tudo em alguns anos).

Quando acordei da cirurgia, já não enxergava mais do olho esquerdo, nem da metade direita do olho direito (tampe seu olho esquerdo e a metade direita de seu olho direito e você entenderá como enxergo). Ao sair do hospital, nenhuma calça jeans me servia mais… E dali por diante, fui engordando cada vez mais. Em 6 meses, havia dobrado de peso. De um magricela de 1,50m e 43Kg, me tornei um gorducho de 1,50m e 86Kg.

Passei a precisar de medicamentos para sobreviver. Um deles, precisava tomar todo dia de manhã e à noite, o qual dependia de geladeira. Ou seja, me tornei um prisioneiro em minha própria casa. Onde ia, tinha que levar uma caixa de isopor com ele.

Como se não fosse o bastante, passei a sofrer bullying na escola. Acabei largando a 6º série do (então) 1º grau (não sei o nome agora) após as provas do primeiro bimestre. Só fui voltar a estudar no segundo semestre daquele ano, em outra escola (a escola estadual chamada Brotero – não lembro o nome inteiro). Lá, novamente, passei a sofrer bullying.

Uma das piores coisas que já me fizeram foi no Brotero. O que aconteceu, basicamente, é que comecei a receber bilhetinhos apaixonados de uma menina. Não me lembro como ela assinava, mas era algo como “Daquela que te ama”. Os bilhetinhos simplesmente apareciam em minha mesa, nunca percebi quem os colocava lá, até por ainda não estar adaptado à minha nova condição de visão.

A coisa foi indo, eu comecei a responder tais bilhetinhos, até que marcamos um encontro, para depois da aula. Resultado? Cheguei no local e hora marcada e a metade da turma estava ali, para me humilhar. E esta não foi a única vez que alguma menina fingiu estar apaixonada por mim, para depois me humilhar. Isto aconteceu diversas vezes, ao ponto de eu ter criado uma resistência muito grande a carinhos que me façam. Até mesmo aversão em muitos casos. Não é fácil me quebrar, me conquistar. NADA fácil. Mas, às vezes, acontece.

Bem… Não é de se estranhar que, somando isto tudo, eu tenha acabado ficando com depressão profunda. Mais dormia do que qualquer outra coisa, não me alimentava corretamente, etc. Chegou a um ponto que, após terminar o 2º ano do 2º grau (ensino médio, sei lá), não voltei para o 3º. E esta já era uma escola diferente, era o Eniac, não mais o Brotero. Abandonei os estudos por 4 anos, só voltando para fazer o 3º ano em 2001, no Colégio Elite.

Depois disto, novamente depressão. Só fui começar a faculdade em 2003, mas também fiz o primeiro semestre e tranquei. Só voltei em 2006, quando levei até o fim. Falta apenas duas matérias: Atividades Complementares II (que uma doação de sangue já resolve) e Orientação de Estágio… Mas, para isto, preciso fazer estágio. Fiz cursos de certificação, mas ainda não consegui ir atrás de estágio, por ter caído novamente em depressão.

Sobre o ateísmo, como podem ver lá no início, sempre tive aversão às religiões, o que foi fortalecido a partir da 6º série (no colégio Brotero), quando tive uma professora de História excelente, que nos deu aulas sobre a Grécia Antiga, Roma, passando depois pelas Cruzadas e Inquisição.

O conceito de deus, para mim, nunca fez muita diferença também. Eu o tinha, mas chegava a me irritar quando alguém chegava perto de mim e dizia de boca cheia “Graças a Deus blá blá blá”. Quer dizer, em minha infância eu estava mais para o deísmo. Mesmo Jesus Cristo, o via apenas como um homem à frente de seu tempo.

Por volta do ano 2000, um colega me disse algo que me fez pensar: “Deus é a natureza. Faça a comparação entre a bíblia e a ciência, que você chegará a esta conclusão”. Assim, me tornei panteísta (apesar de que na época eu nem saber o que isto significava, nem nunca havia ouvido falar).

Disto, deste panteísmo, para o ateísmo, foi um pulo. Mas quem me ajudou realmente a me definir como ateu foi minha prima Geamille.

E hoje? Bem… Hoje sou alguém profundamente deprimido, mas apaixonado. Pela astronomia, pela astrobiologia, … pelas ciências em geral, pronto. Também pelo ceticismo, pela filosofia, mas principalmente pelo livre pensar.


Além disto, sou co-criador do blog Livres Pensadores (junto a minha prima Geamille), co-criador do Projeto Livres Pensadores (junto do Marcelo Esteves) e co-fundador da Organização Livres Pensadores (com o Jeronimo Freitas, entre outros).

9 Responses to Sobre mim

  1. Desonestidade Intelectual | A Glorious Dawn on 24 de julho de 2011 at 20:55

    [...] Sobre mim [...]

  2. Guigo on 2 de agosto de 2011 at 10:45

    Cadê a Mille? tem algum tel dela? Vlw!

    • Mário César on 2 de agosto de 2011 at 12:26

      Olá, Guigo.

      Estou sem notícias dela… Só o que soube é que ela saiu da clínica onde estava internada e que teria ido pra Limeira. Mas nem sei se é verdade… :/

      Abraços!

      • Guigo on 16 de agosto de 2011 at 14:51

        Clínica? Internada? Caraca.. Tem algum contato de Limeira?

        • Mário César on 16 de agosto de 2011 at 15:10

          Pior que não, cara…

          To sem contato mesmo. :/

          Abraços!

          • Guigo on 16 de agosto de 2011 at 15:32

            Obrigado assim mesmo. Fico um pouco mais tranquilo ao saber que ela está viva (Ela sumiu derrepente, como de custume até, mas nunca tinha sumido por tanto tempo assim saca) E derrepente ninguém mais sabe nada dela..

          • Mário César on 16 de agosto de 2011 at 15:40

            Sem problemas, cara! E se tiver notícias dela, por favor, me avise também!

            Abraço!

  3. Thalita on 23 de outubro de 2011 at 8:53

    Queria poder lhe falar pessoalmente… Estava pesquisando meus trabalhos e aproveitei bastante sobre o que você escreveu sobre a Líbia… E acabei descobrindo que você não acredita em Deus…
    Talvez você ache chato ou nem queira olhar mas você pelo que pude perceber lendo sobre você, é um rapaz que gosta de ler e descobrir coisas novas.Portento leia algumas noticias que estão neste site…
    http://www.jesusvoltara.com.br/esperanca/index.htm Sei também que você nem me conhece mas não quis deixar de apresentar a você o que eu realmente creio. Talvez seja sem importância a você,por favor leia.
    A decisão é sua mas obrigada por ler até aqui mesmo que você talvez esteje me criticando por me intrometer nessa decisão que é pessoal!

    Obrigada por sua atenção!
    Coloquei nesse exato momento você em minha lista de oração…
    Abraço

    Thalita

    • Mário César on 23 de outubro de 2011 at 10:33

      Olá, Thalita. Obrigado por sua preocupação e atenção, mas não há coisa alguma que alguém possa me apresentar que faça com que eu me “converta” ao cristianismo.

      Se, um dia, conseguirem encontrar evidência científicas fortes o suficiente para provar a existência de um deus, me convencerei. Mas, jamais, louvarei-o.

      Se for o deus bíblico então, que é genocida, infanticida, cruel, desumano, que gosta de brincar com a vida dos outros com seus “testes”… Então ainda serei da oposição. Saca?

      Mas, enfim… Se, ainda assim, quiser rezar por mim, fique à vontade. :)

      Mas tenha consciência: rezar não resolve coisa alguma, não ajuda a ninguém, não cura, ou tem qualquer serventia. Se tivesse, as crianças na África não estariam morrendo de fome, nem existiriam tantas pessoas com deficiência física (tetraplégicos, paraplégicos, amputados, etc). ;)

      Abraços!

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