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Desde o final da década de 90 há uma constante briga entre o sistema da Microsoft, o Windows, e o sistema livre criado por Linus Torvalds, o Linux. Essa briga, na verdade, tem dois imensos componentes, sem os quais simplesmente não haveria briga:

  • O componente ideológico
  • O componente da ignorância

14 - A eterna briga Windows vs Linux

No caso do componente ideológico há, por um lado, a velha briga liberalismo/capitalismo vs. socialismo/comunismo. Briga esta que, para mim, já deveria ter sido superada há décadas, mais precisamente desde a falência da URSS e início da abertura da China. Contudo, esta briga continua cada vez mais atual (vide o que tem ocorrido no Facebook).

Outro ponto ideológico, no lado dos defensores do Linux, é sobre a liberdade, mas de uma forma um pouco distorcida: gente que coloca a liberdade de acesso a software, mas que ignora a liberdade de iniciativa (de criar produtos e comercializá-los, para arrecadar dinheiro). Isto, claro, espanta os partidários do lado Windows, que em sua imensa maioria desenvolve software como seu ganha-pão.

No caso do componente da ignorância, a questão é sobre o que se pensa saber sobre o sistema operacional “oponente”, digamos. Boa parte dos defensores do Linux acham que o Windows continua tão bugado quanto eram o Windows 95, 98 e ME, sendo que desde o Windows 2000 a coisa anda bem diferente. Ao mesmo tempo, boa parte dos defensores do Windows acham que o Linux é extremamente difícil de usar, que tem pouquíssimos aplicativos disponíveis e que a coisa, como um todo, é muito mal acabada. O que não poderia estar mais errado também, vide distribuições do Linux como o Ubuntu.

Apenas um adendo aqui, para quem não conhece o mundo Linux: distribuições do Linux são como “diferentes sabores” do mesmo. Como no caso dos sorvetes, você tem de chocolate, baunilha, morango, etc. No Linux é parecido. Isto devido a:

  1. O Linux ser totalmente livre (e mesmo gratuito), desde sua criação até hoje.
  2. Seu criador e seus colaboradores controlarem apenas o kernel (parte central e vital do sistema).
  3. E, finalmente, ao fato de grupos se unirem para criar distribuições que, na opinião deles, seria melhor que as outras.

Contudo, o fato é que sistemas operacionais, assim como hardwares, gadgets, tecnologias em geral e até mesmo redes sociais, não podem ser vistos como nada além de ferramentas. E, sejamos sinceros, não se usa uma chave philips para soltar um parafuso de fenda.

E não digo isto para que as pessoas vejam tais coisas apenas como forma de se conseguir dinheiro: ao contrário, tais ferramentas podem ser utilizadas para diversos fins. Exemplos seriam desde fazer dinheiro, até para conseguir laser e prazer. Por exemplo, peguemos um mensageiro instantâneo, como o antigo (e quase falecido) MSN ou o Skype. Eles são apenas ferramentas utilizadas para que possamos conversar com outras pessoas que, muitas vezes, estão muito distantes. Seja para trabalho, seja por puro prazer – pouco importa.

Então, analisando o Windows e o Linux como mera ferramentas o que observamos é que ambos têm vantagens e desvantagens. Listarei abaixo algumas delas, começando pelas vantagens do Linux:

  • Você não precisa pagar para baixar, instalar e usar.
  • É extremamente confiável, estável e robusto.
  • Tem centenas, talvez milhares, de aplicativos gratuitos, muitas vezes ao alcance de alguns cliques ou de uma linha de comando num terminal (principalmente no caso das distribuições Debian e das baseadas no Debian, como o Ubuntu).
  • Tem surgido, cada vez mais, aplicativos compatíveis com aqueles do Windows, muitas vezes gratuitos e tão bons quando.

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Alguns diriam que o fato do Linux ter uma comunidade de desenvolvedores imensa seria uma vantagem estratégica. Mas, como verão abaixo, não é bem assim. Isso para não falar que o Windows também tem uma comunidade de desenvolvedores imensa, talvez ainda maior. Mas vamos às desvantagens do Linux:

  • Por mais que se tente criar distribuições com interfaces amigáveis ao usuário e tudo mais, instalar e configurar uma máquina com Linux continua complicado. Existem, sim, diversos aplicativos gráficos para facilitar toda a configuração, mas o Linux continua cheio de truques, algumas vezes difíceis de descobrir.
  • Apesar da comunidade de desenvolvedores imensa, a correção de bugs continua muito demorada, isso sem falar que, a cada nova versão de distribuição que sai, você terá a dor de cabeça de procurar por novos aplicativos para fazer a mesma tarefa de um outro que você já tinha, simplesmente devido ao fato do desenvolvedor do aplicativo anterior tê-lo abandonado.
  • Ainda faltam alguns aplicativos chave no Linux ou, no caso de existirem, algumas vezes lhes faltam recursos chave.

No caso do 2º item acima, posso dar o exemplo de aplicativos que troquem, a cada período de tempo (10 minutos, por exemplo), o papel de parede. Acho que já devo estar no 5º ou 6º aplicativo diferente, que faz a exata mesma função, desde que comecei com o Linux. O que, sinceramente, é uma encheção de saco (com o perdão do palavrão).

No caso do 3º item acima, posso dar o exemplo de aplicativos de máquina virtual (aqueles que são capazes de rodar, numa janela, todo um outro sistema operacional). Antigamente tínhamos o VMware que, apesar de ser um aplicativo fechado (proprietário), tinha versões gratuitas. Mas, hoje, infelizmente não está mais disponível (ou, se está – e eu não encontrei para baixar -, já não tem mais atualizações). Assim, fico obrigado a utilizar o VirtualBox que, apesar de prometer o recurso de arrastar e soltar arquivos do sistema hospedeiro para o sistema convidado (aquele que roda na máquina virtual) e vice-versa, tal recurso simplesmente não funciona.

Vamos agora às vantagens do Windows:

  • É extremamente fácil de instalar e utilizar.
  • Tem uma infinidade de aplicativos, inclusive gratuitos, disponíveis.
  • Alguns aplicativos desenvolvidos para ele ainda não têm substituto para Linux, ou ao menos não com todos os recursos necessários.

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O Windows Vista e 7, por exemplo, já veem com a capacidade de trocar papeis de parede a cada período de tempo, apesar desse recurso ainda ser limitado (você precisa selecionar imagem por imagem, não podendo selecionar apenas a(s) pasta(s) onde a(s) imagem(ns) está(ão)). Sobre softwares de máquinas virtuais, existe o Virtual PC, da Microsoft, que é gratuito e completo.

Vamos às desvantagens do Windows:

  • Encontrar aplicativos para ele é difícil, mesmo com a nova loja da Microsoft, disponível com o Windows 8 (falta a ela uma opção de pesquisar na loja toda, como acontece até mesmo no Google Play, para Android).
  • Não é tão estável, por permitir que aplicativos de terceiros o derrube. (Pelo menos não pode mais ser derrubado por erro nos drivers da impressora, como acontecia no Windows 95).
  • O Registro do Windows, que foi uma ótima ideia quando criado (afinal todos os recursos instalados ficam ali, registrados, para se tornarem disponíveis mais facilmente), acabou se tornando um pesadelo: ele vai se deteriorando conforme passa o tempo, fazendo com que o Windows como um todo vá se tornando mais lento e tendo cada vez mais erros.

Assim, depois de ver tudo isto, qual é o melhor? Bem, depende. Conforme a necessidade muda, a resposta mudará. Mas, basicamente, eu diria o seguinte: no caso de servidores (de empresas), nada melhor que um Debian bem configurado; no caso do usuário doméstico, nada melhor do que um Windows 7.

Sobre o Windows 8? Bem, aparentemente a Microsoft, desde o Windows XP, tem usado o método tick-tack: versões tick (XP e 7) são ótimas e versões tack (Vista e 8) são um tiro no pé. O Windows 8, com aquele novo ambiente visual, é uma aberração. O próprio Menu Iniciar tem piorado muito, ao não dar acesso direto a tudo, como era ao menos até o XP. (Não posso falar do Vista, pois sequer o instalei.)

Ainda assim, é possível utilizar o Linux para usuários domésticos, principalmente utilizando-se da distribuição Ubuntu. Contudo, infelizmente a última versão do Ubuntu (13.04 – Raring Ringtail) está extremamente bugada, ao ponto de eu instalar a versão 12.04 (Precise Pangolin), que é a anti penúltima, mas que terá suporte até 2017.

ubuntu-

No meu caso, o que preferi fazer no meu novo notebook é instalar o Ubuntu como sistema operacional nativo e o Windows numa máquina virtual, gerada e mantida pelo VirtualBox. Isto me traz o melhor dos dois mundos. Veja as vantagens:

  • Tenho um sistema operacional gratuito e extremamente confiável, estável e robusto.
  • Tem centenas, talvez milhares, de aplicativos gratuitos, muitas vezes ao alcance de alguns cliques ou de uma linha de comando num terminal.
  • Tenho acesso ao Windows, portanto tenho acesso a todos os aplicativos Windows que preciso utilizar.
  • Pude aposentar vários aplicativos Windows, pois existem substitutos deles para Linux, ou existem versões deles mesmos para Linux.
  • Não preciso reservar um espaço fixo para a instalação Windows, visto que posso (e foi o que fiz) criar um disco virtual dinâmico, que cresce conforme necessário.
  • Posso fazer backup da instalação Windows inteira, de modo que, se der algum problema na máquina virtual que estou utilizando (na instalação que estou utilizando), posso simplesmente deletá-la, fazer uma cópia da instalação de backup e pronto.
  • Devido ao item anterior, posso (e é o que estou fazendo) criar uma instalação “base”, apenas com os aplicativos que sempre usarei ou que são necessários (como antivírus, descompactadores, navegadores como o Chrome e Firefox, etc), fazer uma cópia dela para instalar aplicativos de computação gráfica (Photoshop, Sony Vegas, etc) e outra cópia para instalar aplicativos de desenvolvimento de software.
  • Como tenho uma máquina robusta, uma Core i7 com 8GB de RAM e 1TB de HD, posso deixar 2 processadores (dos 8) para a máquina virtual, mais a metade da memória RAM (que só serão usados quando a máquina virtual estiver sendo executada) e deixar todos os arquivos (textos, imagens, etc) no Linux, os quais acesso via rede ou pasta compartilhada.
  • Como os arquivos ficam no Linux (os movo para a máquina virtual conforme necessário e, depois, movo de volta), posso configurar a máquina virtual para não salvar as alterações. Assim, mesmo que eu baixe um vírus, o Windows ficará à salvo. E o registro não se corrompe.

Dentre vários outros itens, que poderia pensar aqui. Mas acho que é suficiente. Mas, resumidamente, prefiro conciliar ambos, usando-os ao mesmo tempo. Como “aliados”, não “opositores”.

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Assim, se você tem uma máquina robusta como a minha, recomendo que utilizem desta forma. Digo, para máquinas com pelo menos quatro processadores. Contudo, se você nunca mexeu no Linux, recomendo que, antes de optar por este modelo, faça um curso de Linux. Se não for possível, ao menos contrate alguém, ou arranje um amigo que entenda da coisa, para fazer a instalação e te ajudar a entender, ao menos, o básico do sistema.

Enfim, para mim isto é que é liberdade de verdade: não fico limitado a qualquer um dos dois sistemas, podendo fazer uso do melhor de cada um, e uso um ou outro conforme minha necessidade ou mesmo meu mero desejo. Apesar, claro, do maldito VirtualBox não me deixar clicar e arrastar arquivos de um sistema para o outro.

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6 Responses to A eterna briga Windows vs. Linux

  1. JOÃO CARLOS on 21 de setembro de 2013 at 22:41

    quero conhecer!

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    • Mário César on 21 de setembro de 2013 at 22:47

      Olá, João. Tudo bem?

      Desculpe, mas conhecer o que?

      Abraços!

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  2. Iderlindo on 27 de novembro de 2013 at 18:43

    Gostei do Artigo.

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  3. Joaninha on 27 de abril de 2014 at 7:27

    Good day! I simply want to give an enromous thumbs up for the good data you could have right here on this post. I might be coming again to your blog for extra soon.

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  4. Anderson on 6 de maio de 2015 at 15:50

    Caramba!! Muito bom! Eu como usuário de Windows&Linux realmente gostei bastante do artigo. É difícil achar um texto que realmente tente ser criterioso e imparcial.
    Alias, resumiu muito bem os pontos chaves da briga, que ao meu ver simplesmente não faz sentido:
    - ideologia
    - ignorância

    Na comunidade do Viva o Linux também achei uma série de textos excelentes dizendo qual é a vantagem de cada SO, de um ponto de vista mais técnico. O texto era bom, mas como infilismente era de se esperar, a quantidade de “hate comments” motivados pelos dois pontos chaves, era imenso.

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    • Mário César on 6 de maio de 2015 at 16:01

      Obrigado, Anderson!

      E sei bem como é. Aliás, a mesma coisa pode ser dita sobre a comunidade Windows… Parecem torcidas de futebol. :/

      Abraços!

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